PublicidadeO coronelismo dos juízes
DA REDAÇÃO
Se os juízes soubessem o quanto custa uma sociedade sem imprensa, jamais condenariam um jornalista ou um jornal pelas opiniões que ele publica. Nas ditaduras, a liberdade de imprensa é a primeira que é suprimida. Pensar e publicar o que se pensa torna-se o crime numero 1 de um regime de opressão. O Brasil passou por isso e muitos juízes submeteram sua consciência à vontade dos poderosos generais do regime militar. Nem por isso conseguiram acabar com a imprensa e também não acabaram com os juízes íntegros.
O senador Auro de Moura Andrade diante do arbítrio, respondeu, certa ocasião: "Japona não é toga". Da mesma forma, hoje, pode-se dizer que a toga de um magistrado não deve ser usada para calar a imprensa. Mesmo que seja um jornal atrevido que se pune, o prejuízo é da sociedade, porque o jornal diz tudo às claras, enquanto as negocia-tas e os estupros são feitos na escuridão onde os crimes prosperam.
Um juiz que cala ou censura um jornal é como um tirano esclarecido que prefere uma negociata que cause um rombo nos direitos dos cidadãos do que a manchete que denuncia os seus autores. Tirar um jornal da banca, por censura, é renunciar o juiz à sua formação de jurista e fazer o jogo das minorias elitistas que dizem ter na mão o voto de um deputado e a sentença de um magistrado.
Condenar o jornal a indenizações impagáveis é como tirar o tubo por onde respira o regime democrático. Por que todos os alagoanos sabem que o EXTRA não é financiado alhures por nenhum magnata do petróleo ou dono de usina falida. Sobrevive da receptividade e da credibilidade que o leitor lhe dá. Se o que o EXTRA escreve não é crível, seria punição justa ninguém comprá-lo e relegá-lo ao ostracismo como tantos que passaram em nossa terra e fecharam suas portas por inanição intelectual.
Não se pode fazer do dinheiro um instrumento que silencie a liberdade de imprensa. O francês Diderot escreveu: "Em qualquer país onde talento e virtude não produzem qualquer avanço, o dinheiro se torna Deus nacional". Sem a opressão de certo coronelismo na ânsia de sufocar a verdade e sem fazer do dinheiro das indenizações a arma para calar um jornalista, antes de-veria o magistrado pensar no direito de resposta, que esclareça a opinião do pretenso ofendido, mas no campo da inteligência, que parece não ser o território preferido dos falsos inocentes e dos canalhas de plantão.
O jornal EXTRA é a sobrevivência de uma ideia, é um consorcio perfeito de quem escreve e quem lê e os que o fazem deveriam receber uma medalha de honra ao mérito porque sua única causa é ser a voz dos que não tem voz.
Pensem os juízes que pior do que fechar suas portas, como já se tentou, pelo trabuco de assassinos e ladrões, seria dizer que tal ou qual juiz, depois de chegar a ma-gistratura, guarde como o seu máximo troféu ter calado o jornal EXTRA.
Não é ato de que se deva orgulhar nenhum juiz nem ninguém. É o crime principal, de que se deveria envergonhar qualquer homem que respeite e defenda o regime democrático de idéias.
Esta censura é um crime e desanima os bons, esti-mulando os inimigos da democracia e da liberdade.
Não faça isso, meritíssimo.